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Eu sou um cara bem acessível e sempre interessado em incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. Também não ganho a vida com esse site, então dificilmente vou querer te cobrar pelo uso ou discordar de alguma utilização. Mas é sempre bom ter minha autorização para usar os textos... ;)
+ Vá de bike! +
Aqui você encontra textos sobre o uso da bicicleta como meio de transporte, mountain-bike, ciclismo em geral e, vez ou outra, sobre cultura web e computer games. Há também alguns textos que eu escrevi sobre gestão de TI e de equipes, veja o arquivo do site.
Para entender por que eu defendo o uso da bicicleta como meio de transporte,clique aqui.
A propaganda acima, veiculada pela Volkswagen na Alemanha, tenta convencer que o Polo Blue Motion é tão amigo do meio ambiente quanto uma bicicleta. A mensagem que esse anúncio tenta passar é mais ou menos essa: para não agredir o meio ambiente, você pode usar uma bicicleta ou o nosso novo carro, dá na mesma.
As constantes altas do petróleo fizeram o mercado consumidor passar a demandar carros que gastem menos combustível. A polêmica em relação ao Efeito Estufa e o hype do ecologicamente correto conduz as montadoras para a fabricação de veículos menos poluentes. Pressão de mercado daqui, pressão de imagem dali e a Volkswagen (a mesma que recebeu meio bilhão do BNDES para aumentar a produção do Fox), fez um certo esforço de engenharia para seus carros poluirem menos. Mudaram a suspensão e a aerodinâmica para diminuir a resistência ao ar, a transmissão para ter marchas mais longas e menor rotação do motor e mudaram um pouco o motor e a filtragem dos gases que saem do escapamento.
Ok, com tudo isso esse novo carro polui menos que os que já rodam por aí. Emite menos CO2, que é o principal causador do efeito estufa. Mas ainda polui. E está muito longe de um veículo sem motor, que não queima qualquer tipo de combustível ao se mover.
E o ponto principal é que um carro não emite apenas CO2. Um carro como esse, movido a diesel, emite também material particulado (fuligem), óxidos de nitrogênio e dióxido de enxofre. Um motor a gasolina ou álcool emite, além do CO2, hidrocarbonetos, monóxido de carbono e aldeídos.
O site Planeta Sustentável (Ed. Abril) tem uma página descrevendo bem os efeitos desses poluentes. Para resumir (se é que dá), podemos dizer que, em conjunto, provocam dor de cabeça, diminuição da capacidade respiratória, irritação nos olhos e nas vias respiratórias e causam problemas cardiovasculares, além de contribuir para o aquecimento global, causar danos em construções e na vegetação, diminuir a visibilidade (ar com cara de fumaça) e são materiais venenosos, que em alta concentração matariam um ser humano. Não é à toa que tanta gente morre em São Paulo em decorrência da poluição gerada pelos carros.
Fazer um carro que polui menos, mesmo que não seja por amor ao planeta e à Humanidade, não deixa de ser algum tipo de avanço. O que não podemos aceitar é indução do consumidor a erro, fazendo-o acreditar que o carro é ecologicamente correto. Não existe carro ecológico. Tenta-se vender uma consciência limpa para quem compra o produto ou serviço, como aquele posto de combustível que diz que neutraliza as emissões de carbono, sem dizer e nem mostrar como faz isso (e como se o único veneno que sai do escapamento fosse o CO2). Tentam convencer que gastando alguns trocados a mais podemos estragar o planeta à vontade, como se comprássemos um alvará de assassinato. Compre nosso carro, queime nosso combustível, mas durma tranqüilo: você é uma pessoa comprometida com o meio ambiente.
Em tempo: o anúncio foi proibido na Alemanha. Mas não é por exagerar na comparação, por mostrar um carro estacionado em local proibido, nada assim. Foi por desrespeitar uma lei que obriga a mostrar informações sobre o consumo de combustível e emissão de CO2...
Em uma boa reportagem sobre a questão das ciclovias na cidade, Danilo May, leitor da Folha e deste blog, encontrou na frase final algo que considerou uma incoerência: a afirmação de que o ciclista deve usar apenas a margem direita da pista.
A primeira impressão, principalmente para alguém que nunca utilizou a bicicleta como meio de transporte, é de que o ciclista deve mesmo usar sempre o lado direito da via, por ser um veículo mais lento. Esse pensamento orientou a justificativa do repórter, ao ser questionado pelo Ombudsman, após e-mail do Danilo:
Em uma leitura estrita, o argumento do leitor aparenta ter alguma pertinência. O Código Brasileiro de Trânsito diz o seguinte:
Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.
Porém, o inciso IV do artigo 42 diz o seguinte:
IV - quando uma pista de rolamento comportar várias faixas de circulação no mesmo sentido, são as da direita destinadas ao deslocamento dos veículos mais lentos e de maior porte, quando não houver faixa especial a eles destinada, e as da esquerda, destinadas à ultrapassagem e ao deslocamento dos veículos de maior velocidade;
Deste modo, ao informar que "Enquanto as ciclovias não chegam, o ciclista deve respeitar as leis de trânsito: andar pela margem direita, no mesmo sentido da via", procurei fazer uma interpretação do Código de Trânsito que levasse em consideração o bom senso no uso da via. Deste modo, sinceramente não creio que seja o caso de erro de informação.
Ok, vamos desmitificar esse assunto.
- O Art. 58 diz "nos bordos". Plural. Ou seja, no bordo esquerdo e no bordo direito.
- O inciso IV do art. 42 diz que as faixas da direita são destinadas aos veículos mais lentos E de maior porte (não OU de maior porte).
Com base nesses dois trechos, conclui-se que o inciso IV do art. 42 determina que veículos LENTOS E DE GRANDE PORTE (ônibus, caminhões, escavadeiras e tanques de guerra) usem a pista da direita. Acrescente-se a isso o argumento citado pelo Zé Lobo, da ONG Transporte Ativo: "O inciso IV do artigo 42 diz que a faixa da direita é dos veículos mais lentos. Mas não por velocidade final e sim por velocidade na via. Em vias engarrafadas, a bicicleta normalmente é o veículo mais rápido. Logo a justificativa não faz sentido."
E o art. 58 diz ainda que as bicicletas podem usar OS bordos da pista. A pista só tem dois bordos, o esquerdo e o direito, portanto é a eles que a lei se refere.
Concordo com a avaliação do jornalista de que o bordo direito é mais seguro para os ciclistas, afinal na pista da esquerda os veículos transitam com maior velocidade. Entretanto, há situações específicas em que o bordo esquerdo se torna mais seguro. Assim, de pronto, consigo pensar em duas:
1) Quando há uma faixa exclusiva de ônibus na pista da direita. Ao permanecer nessa faixa, o ciclista obriga os ônibus a saírem dela para o ultrapassar, o que não é uma operação simples para os ônibus. A alternativa ao motorista é espremer o ciclista contra a calçada, o que muitas vezes acontece, podendo resultar até mesmo em fatalidade. Nesses casos, ocupar a segunda faixa pode ser mais perigoso do que oculpar a da esquerda, porque haverá veículos passando em alta velocidade de ambos os lados do ciclista, muitas vezes mudando de pista e cruzando à sua frente para entrar em uma rua, por vezes o obrigando a se jogar na frente dos ônibus para escapar de um motorista agressivo.
2) Quando há um desvio ou conversão à esquerda logo adiante. O motorista de um carro que precisa pegar um desvio para a esquerda em uma grande avenida, precisa ir se deslocando paulatinamente até a pista da esquerda. Sair da direita na última hora para cruzar a avenida pode ser desastroso mesmo para um veículo motorizado. Como por questões de segurança no trânsito o ciclista não pode ir mudando aos poucos de pista para chegar à da esquerda no momento ideal, ele DEVE se conservar na esquerda desde quando o puder fazer, preferencialmente no semáforo que anteceder à conversão necessária, de modo que já se encontre na pista correta ao chegar na altura da saída que precisa pegar.
Há detalhes que só são percebidos por quem utiliza a bicicleta como meio de transporte. Opinar com base unicamente na experiência de motorista de veículo motorizado é louvável, mas por vezes pode soar como um pianista dando sugestões a um flautista sobre a força com a qual ele deve apertar os furos da flauta.
O problema em dizer em uma matéria aberta ao grande público que o ciclista DEVE usar o bordo direito é incutir acidentalmente na cabeça dos motoristas que o ciclista que estiver no lado esquerdo da pista está automaticamente errado. E todos sabemos que há certos tipos de motorista que punem com buzinas, movimentos agressivos e ameaças de atropelamento aos ciclistas e pedestres que eles acham que estão fazendo uso incorreto da via, como se essa infração fosse tão grave que merecesse ser punida com a morte ou o mutilamento imediatos.
Tirar os caminhões da rua não ajuda em nada. É uma medida populista, para mostrar que a prefeitura está fazendo alguma coisa e contar pontos para a próxima eleição.
Terem iniciado a proibição de circulação no mesmo dia do início das férias não foi coincidência. Assim aproveitam a diminuição de congestionamentos que já ocorreria devido às férias e emprestam ela à medida de restrição de caminhões. Notem que, com poucas exceções, a prefeitura e a mídia televisiva divulgam informações sobre a diminuição do trânsito relacionando-a apenas aos caminhões, "esquecendo-se" de falar das férias.
Não digo que isso seja proposital: acredito mais na incompetência, na miopia social e nas coisas (mal) feitas com pressa do que na má fé. Os órgãos municipais divulgam a informação que lhes interessa propagar e os órgãos de mídia a repassam na base do copy/paste, sem opinar ou refletir sobre o assunto.
Nos jornais e telejornais, informaram de boca cheia que "cerca de 85 mil caminhões deixarão de trafegar". Ok, 85 mil... Mas tem TRÊS MILHÕES E MEIO de veículos na rua (dados do ano passado)! Como é que pode melhorar tanto o trânsito tirando 85 mil caminhões, no meio desses três milhões e meio de veículos??
Na ponta do lápis
Façamos pois alguns cálculos grosseiros, porém otimistas. Vamos supor que um caminhão impacte o trânsito umas três vezes mais que um carro de passeio:
85 mil caminhões x 3 = impacto semelhante a 255 mil carros
255 mil representa 7,3% de 3,5 milhões. Legal! Mas... os congestionamentos diminuiriam em 7,3%?
Imagine que muitos desses caminhões serão substituídos por vans. A carga de um caminhão pode precisar ser dividida em até 3 vans.
Vamos supor que 1/3 desses caminhões seja substituído por, em média, 2 vans (estimativas modestas, hein) :
1/3 de 85 mil = 28 mil
28 mil caminhões divididos em 2 vans = 56 mil vans
Ou seja, retiraria-se da rua 57 mil caminhões e acrescentaria-se 56 mil vans.
Sendo ainda otimista e considerando que cada van impacta o trânsito em 1,5 vezes o que um carro impactaria, temos:
- Menos 57 mil caminhões: impacto equivalente a 171 mil carros
+ Mais 56 mil vans: impacto equivalente a 112 mil carros
= Saldo: equivalente a 59 mil carros, o que dá 1,7% daqueles 3,5 milhões...
1,7%?? Grande ajuda!
Tudo isso sem considerar que o congestionamento não é linear: passou de uma certa quantidade de carros, não tem como ficar mais ou menos entupido, fica tudo parado e pronto. Afinal, tem muita diferença um dia com 280km de congestionamento e um dia com 250? Se fosse linear, deveria ser uma diferença de mais de 10%... Esses 1,7% mudam alguma coisa?
Também não considerei na conta os 800 veículos novos que entram em circulação diariamente. Tudo bem, esses cálculos não tem rigor científicos (teriam se fossem embasados em estatísticas, mas elas não existem ou não são acessíveis).
Alta nos preços
E é mais que óbvio que isso tudo vai influenciar nos preços. Imagine que você tem um mercadinho que costuma fechar às 8 da noite. Você costumava receber as mercadorias ao longo do dia, mas agora vai ter que receber de madrugada. Quem vai ficar lá pra receber a mercadoria, armazenar, registrar a entrada? Algum funcionário, pago pra isso... Ou você, dono do mercado, que vai ter que colocar alguém no seu lugar de manhã para não ter que trabalhar 16 horas por dia. Esse custo vai ser repassado para o consumidor, claro. Pode até ser pequeno, mas vai.
Mesmo nos casos em que a entrega só vai mudar de dia, a loja pode precisar aumentar os estoques, para durarem um dia a mais. Estoque também tem custo, como qualquer pessoa com formação ou vivência nessa área sabe. O dinheiro desse custo vai sair de algum lugar - adivinhe de onde?
Há mais custos adicionais. Uma entrega à noite tem maior custo de pessoal. Os roubos de cargas simples terão também uma pequena porcentagem de aumento, o que também gera um custo adicional que vai sair do bolso do consumidor. Os transportes que forem divididos em veículos menores terão frete mais caro, afinal sai mais caro transportar em três vans do que em um caminhão pequeno, até pelo aumento de pessoal alocado na entrega.
Enfim: não resolve
Essa medida é só pra passar um pano, porque a eleição tá chegando. Não adianta colocar a culpa nos caminhões, nos acidentes, na chuva, nos carroceiros, nos semáforos não-inteligentes e até no próprio rodízio. O problema do trânsito é muito carro na rua! E isso só vai ser resolvido quando o município der aos cidadãos melhor transporte público (o que não é o mesmo que ônibus com TV) e quando as pessoas se tocarem que o trânsito é causado pelos carros que elas mesmas dirigem. Não adianta esperar a solução cair do céu, cada um tem que fazer a sua parte. Reclamar e colocar a culpa nos outros é fácil...
Fizeram o rodízio pra diminuir os carros na rua nos horários de pico, até que o dia todo virou pico. Agora proíbem os caminhões, o que também não vai resolver nada. No mês que vem, quando as férias acabarem e tudo entupir de novo (na verdade continua entupido, mas comparado com o mês passado parece refresco), quero ver o que vão dizer. Provavelmente vão achar outro culpado da vez.
Mapa colaborativo com as bicicletarias de São Paulo. É possível contribuir, acrescentando bicicletarias à lista. Bela iniciativa, bastante útil para quem procura uma loja perto de casa ou do trabalho. Iniciativa do cicloativista Marcelo Mig.
Muita gente me pergunta: como fazer para ir trabalhar de bicicleta se na minha empresa não tem chuveiro?
Já faz um bom tempo que eu estou para escrever sobre isso aqui e acabo esquecendo, ou quando lembro estou sem tempo. Finalmente tomei vergonha na cara e escrevi sobre o assunto.
O vídeo diz algumas coisas bem legais para quem está começando. E o legal é que quem dá as dicas é uma moça, mostrando que até mulheres preocupadas com a aparência depois da pedalada podem adotar esse bom hábito com um pouco de inteligência e boa vontade. Está em inglês, sem legendas, mas fiz um pequeno resumo, que coloquei logo abaixo do vídeo. Se alguém legendar o vídeo, me informe que eu coloco o novo link aqui.
Basicamente, o que ela diz é:
Leve uma camiseta limpa na mochila, para se trocar quando chegar ao destino. É por isso que os ciclistas costumam usar mochilas...
Limpe as axilas com lenços umedecidos.
Se o capacete estraga seu cabelo, use uma bandana.
Se você não quer chegar de capacete e suado no destino, pare em algum lugar antes para se trocar no banheiro.
Eu ainda acrescento o seguinte:
Banho: Se possível, tome um banho *antes* de pedalar. Ajuda a não ficar com odor ao suar.
Antitranspirante: Use sempre um desodorante antitranspirante, antes e depois da pedalada.
Axilas: Se você conseguir lavar as axilas numa pia de banheiro, melhor ainda (seque a pia depois). Senão, limpe com o lenço umedecido, depois seque e passe o antitranspirante.
Cabelos: Se você tem cabelos bem curtos, pode lavá-los na pia também. Nem precisa xampú, água em abundância já resolve. A garrafinha de água quebra um galhão nessa hora: coloque a cabeça em cima da pia e jogue a água por cima.
Playground: Limpe também a área genital com os lenços umedecidos.
Toalha: Leve uma toalha de rosto. Seque com ela o que você tiver lavado (rosto, axilas, cabelo) e depois use a toalha úmida para limpar o resto do corpo.
Roupas: Leve na mochila uma muda de roupa completa e se troque no banheiro. É importante levar principalmente outra roupa íntima e outro par de meias.
Bermuda: Recomendo pedalar de bermuda, para não sujar a calça na corrente ou nos raios das rodas, mas se o tempo não permitir isso, você pode prendê-la junto à perna com velcro ou enrolar a barra para cima até o joelho.
Sacolas: Leve sacolas plásticas para embalar a roupa suja. Leve a roupa limpa também dentro de uma sacola plástica, assim se chover no meio do caminho, a roupa limpa continuará seca.
Roupa social: Precisa levar uma camisa que amassa? Dobre-a e coloque dentro de uma daquelas pastas plásticas mais altas, que se usa em escritórios. Coloque a pasta na mochila ou, se sua bike tiver, no bagageiro. Algumas lojas usam um truque que é dobrar a camisa em volta de um pedaço de papel cartão ou papelão, colocando também uma tira de papel cartão debaixo da dobra do colarinho. Uma calça social pode ir dentro dessa mesma pasta, debaixo da camisa. O paletó pode ficar na empresa...
Perfume: Você pode passar um perfume depois de se limpar, mas não exagere para não ficarem achando que você se encheu de perfume para esconder algum cheiro de suor (você não vai ficar com cheiro de suor se tiver usado um antitranspirante - os de roll-on tem um efeito bom).
Se você tem alguma dica boa, ou alguma crítica às dicas acima, deixe nos comentários!
A revista Bons Fluídos fez recentemente uma "experiência" em que uma pessoa teria que mudar 10 hábitos em um mês: coisas como economizar água, separar e reciclar o lixo, deixar o carro em casa e outras atitudes de consciência ambiental. Aquelas coisas que todo mundo aplaude e diz que é a favor, mas acaba não fazendo. Corajosa e decidida, Carol Costa aceitou o desafio e passou do discurso á atitude. E não só encarou esse desafio até o final, como ainda aceitou repetir e mudar ainda mais os hábitos, aprimorando sua atitude ecológica.
O dia-a-dia dessa menina foi relatado em blog e pode ser acompanhado a partir daqui. Os links para os dias subseqüentes estão numa coluna à direta da página.
Entre outras mudanças, Carol passou a usar a bicicleta para se locomover, por motivos óbvios: não polui, não consome energia, não contribui para aumentar o efeito estufa. Os dias em que ela relata seu contato com a bicicleta, para os ciclistas mais afoitos e sem paciência para ler tudo, estão nos links a seguir:
Infelizmente, parece que Carol não se adaptou muito ao uso da bicicleta. Em um post ela dizia que não sabia bem se devia andar na calçada ou na rua; em outro, ela diz ter levado mais tempo de bicicleta do que a pé, por dificuldade em escolher rotas. Em outro blog ela relata, com bastante frustração, como foi a primeira pedalada, deixando claro que faltou alguém que lhe desse umas dicas básicas. Talvez se ela tivesse apoio de alguém já acostumado a isso, tivesse achado mais fácil e até divertido. Ou talvez o problema tenha sido ela encarar como obrigação, não como diversão...
Em post mais recente, dá para perceber que ela voltou a usar o carro. Comenta, inconformada, sobre os motoristas que se xingam implicitamente com as buzinas irritadas, pelos motivos mais bobos, e comenta que não faz uso da buzina quando dirige.
É realmente uma pena ela ter visto apenas o lado ruim do outro mundo que experimentou. Em seus textos, houve mais comentários negativos sobre a bicicleta (alguns muito sutis, outros em forma de ironia) do que positivos, o que deixa transparecer que a experiência foi interessante, mas não lhe agradou muito. Em dado momento, ainda durante a experiência, ela chega a comentar em tom de brincadeira que a melhor maneira de se deslocar na cidade seria de táxi...
Uma pena, Carol... Bem vinda de volta ao mundo das buzinas estressadas e da luta de vida ou morte para avançar mais meio metro. :) Se prefere terceirizar esse stress a um taxista, muito bem, mas se quiser um apoio para se livrar disso mais uma vez e usar novamente a bicicleta, dessa vez de uma forma mais fácil e agradável, tem um monte de gente ávida por lhe ajudar, seja com dicas ou companhia.
É irônico como a prefeitura desrespeita as leis e a imprensa nem comenta (e geralmente ainda aplaude). O desrespeito está espalhado pela cidade toda e se tornou prática comum, mas por falta de conhecimento das leis por parte da própria população, passa desapercebido, mesmo estando sob nossos narizes.
Além dos desrespeitos às leis no Complexo Viário Real Parque (Estilingão e "Avenida Jornalista"), a prefeitura descumpre as leis ao liberar pistas recapeadas sem pintar a chamada sinalização horizontal. Faixas de pedestre, faixas entre as pistas de rolamento, indicações de "pare" e até rotatórias foram engolidas pelo asfalto eleitoral em muitas ruas e avenidas de São Paulo.
A R. João Cachoeira (Itaim Bibi), por exemplo, foi recapeada há meses, mas até hoje as faixas de pedestre e demais sinalizações de solo não foram pintadas. O mesmo tem acontecido na Av. Paulista, nos Jardins, na Moóca, em Perdizes e diversos outros pontos da cidade. O pior é que esse não é um problema exclusivo de São Paulo: o Rio também sofre com a negligência da prefeitura.
Segundo o Art. 88 do Código de Trânsito Brasileiro, "nenhuma via pavimentada poderá ser entregue após sua construção, ou reaberta ao trânsito após a realização de obras ou de manutenção, enquanto não estiver devidamente sinalizada, vertical e horizontalmente, de forma a garantir as condições adequadas de segurança na circulação". Seja em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Manaus.
No entanto, o que acontece é que a via mal é fechada durante o recapeamento. Não há a menor preocupação com a pintura da sinalização horizontal, o que importa é liberar rápido a pista para não comprometer a "fluidez". Mesmo que o risco de abalroamento lateral entre os carros aumente, mesmo que a faixa de ônibus passe a ser ignorada, mesmo que o risco para os motociclistas e ciclistas aumente, mesmo que os pedestres não tenham onde atravessar porque a maré de carros entalados no congestionamento cobre o pavimento todo. Melhor seria entregar uma via bem sinalizada do que três sem sinalização.
Sinalização na via é uma questão de segurança e a vida das pessoas é mais importante que a fluidez e a pressa.
Alguns ciclistas que usam a Ponte Octávio Frias de Oliveira, o famoso Estilingão, se depararam com uma cena inusitada na última semana: uma viatura da GCM parada no acostamento, gritando em um megafone frases como "CICLISTA, NÃO ANDE NA PONTE" ou "CICLISTA NÃO PODE"...
Um dos ciclistas comentou que deveriam usar a mesma técnica para gritar "motorista, não pode!" em caso de motorista estacionado na calçada, parado em cima da faixa, andando no corredor de ônibus, avançando em cima de pedestres que estão na faixa, etc.
Talvez devêssemos ir com o megafone até a frente da Prefeitura, gritando "prefeito, não pode", em referência à falta de estrutura cicloviária e de pedestres na construção da ponte estaiada, o que além de tudo é um desrespeito à leis. A ironia é que são leis municipais, que o próprio município descumpriu.
Mas dos males, o menor: pelo menos é uma cena engraçada... :)
Willian Cruz é mountain-biker praticante do estilo cross-country, mas adora descer uma escadinha com sua hard-tail. Ciclista urbano por definição, trilheiro de vez em quando, cicloturista quando pode, competidor uma vez ou outra e cicloativista na medida do possível, dá seus pulos por aí na área de informática. Gerente de Sistemas e Desenvolvedor com 18 anos de experiência, já trabalhou para empresas como Editora Globo, iG, Globo.com, Mandic e G&P, tendo participado de diversos projetos de publicação de conteúdo na internet.
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